Tags

O post de hoje explora as diferenças e similaridades entre a LitFan (Literatura Fantástica) e o RPG (Role-playing game – Jogo de Interpretação de papéis).  São tipos de leitura concorrentes ou se completam?  Em minha singela opinião, elas se completam.  Entretanto, há ainda questionamentos se o RPG é literatura.  O que você acha?

RPG é escrito em forma de livros de cenários, pequenos ensaios sobre raças, cultura ou até nas características das fichas de personagens.  Tem todo um sistema de regras, mas sem um roteiro definido.  O narrador é fundamental para que o jogo siga.  O envolvimento de seus jogadores nos personagens chega a reforçar toda teatralização do jogo.  E  arte? Sim.  RPG é arte, é literatura e é jogo.

O primeiro RPG lançado foi Dungeons & Dragons (Masmorras ou Calabouço e Dragões, em português), criado por Gary Gygax e Dave Arneson.  Um jogo totalmente diferente e inovador (que muitos dizem inspirado na obra de Tolkien (fiz dois posts sobre o gênio da LitFan – links abaixo).

Post D&D

E voltamos à pergunta: RPG é literatura?  E se sim, é concorrente da Litfan?

Tanto o RPG quanto a literatura fazem uso de outras artes. Este uso, no entanto, é diferenciado. Em literatura, por exemplo, pode-se dizer que um texto sugere “musicalidade”, ou que um texto é muito “visual”, e daí serem estabelecidas relações entre literatura e música, literatura e artes-plásticas (Texto extraído de “No Limite da Ficção: Comparações entre Literatura e RPG” – de Farley Eduardo Lamines Pereira).  Então, por que não um texto “jogado”?  Um ótimo exemplo é Dragonlance.  Um universo compartilhado criado por Laura e Tracy Hickman,  ampliado por Tracy Hickman e Margaret Weis em uma série de populares crônicas de fantasia, que viraram Best Sellers. E aí, já conseguiu definir?

Em seu “A Aventura da Leitura e da Escrita entre Mestres de Roleplaying Games (RPG)” Andréa Pavão destaca o poder pedagógico e artístico do RPG.  E então? Há correntes que enfatizam o RPG como ferramenta metodológica do processo de ensino – principalmente literatura.

Mas, existem grupos que usam o seguinte exemplo: Uma parede ou um muro pintado de uma cor é pintura? Sim.  Um quadro é pintura? Sim.  Mas qual é arte?  Claro, o quadro.  Mas e toda a arte que envolve a criação e a redação de um RPG? RPG possui vários tipos de literatura em sua composição, desde narrativas fantásticas até manuais técnicos, então se incorre em erro no momento que se desassocia o jogo da Literatura, pois ele tem sua oferta através de livros.

Na LitFan brasileira, temos Leonel Caldela com seu “O Código Élfico”, além da trilogia “Tormenta”, série de romances no maior cenário de RPG nacional, composta por “O Inimigo do Mundo”, “O Crânio e o Corvo” e “O Terceiro Deus” e mais diversos títulos de RPG.

São tantas as possibilidades que vamos abordar em outro post – futuramente.

Base da informação do post:

http://rpgista.com.br/2009/03/14/rpg-e-literatura/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Role-playing_game

http://leonelcaldela.com/

http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/ECAP-72BKDN/dissertacaofinalb.pdf?sequence=1

http://desenhandocomlapis.blogspot.com.br/2012/02/desenhos-de-kerem-beit-uma-arte.html#.VMgfQ2jF9qU (Kerem Beit)

http://23reuniao.anped.org.br/textos/1003t.PDF

http://www.livrariafeiradolivro.com.br/o-uso-do-rpg-no-ensino-das-disciplinas-de-literatura-e-historia/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dragonlance

https://jotacortizo.wordpress.com/2015/01/02/c-s-lewis-e-j-r-r-tolkien-as-cronicas-da-terra-media-ou-o-senhor-de-narnia/

https://jotacortizo.wordpress.com/2014/12/27/tolkien-o-senhor-dos-livros/

Abraços a todos, e até o próximo post.

Jota Cortizo

Anúncios