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O BLOG PHANTASTICUS EM DUAS VERSÕES – EM PORTUGUÊS E EN ESPAÑOL.

Versão em português: A Laranja distópica de Anthony Burgess.

Depois do meu último post, em que mencionei o romance distópico escrito e publicado por John Anthony Burgess Wilson no ano de 1962, bateu uma “insanidade” para ler e escrever sobre o livro.

“A Clockwork Orange” (Laranja Mecânica) marcou uma época.  Melhor, marcou um século.  Quem da geração 70/80 não conhece o romance que virou filme e foi para lá de marcante (vale lembrar as bolinhas pretas* impostas pela censura militar).

*Censura: No Brasil, o filme entrou na lista de obras proibidas pela censura, fazendo com que os cinéfilos fossem assistir a polêmica obra em países vizinhos, como o Uruguai. Quando foi liberado, só conseguiu ser exibido nas salas com ridículas bolinhas pretas sobrepostas nas cenas de nudez.

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O protagonista, narrador e anti-herói Alexander DeLarge impressionou – e muito – por sua insanidade e frieza.  Em uma Londres do futuro (e que futuro) o adolescente Alex, é retratado como um sociopata que rouba, estupra, espanca e escolhe pessoas aleatoriamente, para sua própria diversão, também não mostrando nenhum remorso quando ele percebe que matou acidentalmente uma mulher quando estava tentando roubá-la. Intelectualmente, ele sabe que esse tipo de comportamento é errado, dizendo que “não se pode ter uma sociedade com todo mundo se comportando na minha maneira de noite”. No entanto, confessa ser um pouco confuso com as motivações daqueles que desejam reformá-lo e outros como ele, dizendo que nunca iria interferir com o seu desejo de ser bom, mas apenas que “irá para a outra loja.” Alex acredita que o mal é o estado natural de todos os seres humanos. Na escolha de ser mau, ele está escolhendo ser humano.  Alex e seus amigos se drogam com frequência e saem pelas ruas da cidade aprontando todas, desde bater em pessoas à invasões de domicílios.  Alex começa como um líder de gangue de quinze anos da “juventude moderna”. Ele fala “Nadsat”, linguagem criada pelo autor britânico que é baseado na mescla da língua russa e no cockney, o linguajar da classe operária britânica.

Em uma das muitas invasões domiciliares, a vida de Alex toma um novo rumo ao escutar sirenes policiais, e é nesta mesma noite que ele é traído pelos seus amigos (comparsas) e acaba indo preso e futuramente sendo condenado por homicídio. Após um tempo se adaptando (mais provável que não) à realidade da prisão, Alex conhece (e se oferece) um método chamado “Ludovico”, no qual a pessoa submete-se à assistir cenas de violenta com ganchos no olho, o que faz com que ele assista detalhadamente todas as cenas.  O Tratamento “Ludovico” é uma representação artística do fenômeno psicológico conhecido como condicionamento respondente.  O tratamento “funciona”, e Alex se torna incapaz de cometer outros crimes, mas o tratamento também o deixa com algumas sequelas psicológicas.  Até que… Bem, chega de spoilers.

O livro “A Clockwork Orange” é narrado de forma profunda. Podemos lê-lo como um livro de sociologia, onde há a possibilidade de analisar a violência das tribos urbanas, tentar entender, perceber e aceitar questões filosóficas existencialistas e muitos outros argumentos, que irão depender da mente das pessoas que o leem.  O livro de Burgess recebeu o “Prometheus Hall of Fame Award” em 2008.

Joker

O comportamento de Alex, de certa forma, nos remete a um certo Edwin, também conhecido como “Joker” (no Brasil, ele é o Coringa) – com um alter ego de nome Jack Napier.  O psicopata com um sentido de humor sádico e doentio nos dá calafrios. O olhar ao mesmo tempo insano e de raciocínio frio nos impressiona.  Muito!! Você percebe as semelhanças?

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Nas telonas tivemos a espetacular (e marcante) adaptação britânico-americano que veio a público em 1971, adaptado, produzido e dirigido por Stanley Kubrick (o mesmo de filmes como “2001, Uma Odisseia no Espaço” e “O Iluminado” e considerado um dos maiores cineastas da história) e tendo o personagem Alex sido interpretado por Malcolm McDowell (hoje, figurinha conhecida do cinema).

Uma cena antológica: A gangue de Alex rouba um carro, e seguem até o local onde o escritor F. Alexander mora e espancam-no a ponto dele quase perder a vida. Alex então estupra sua esposa enquanto canta “Singin’ in the Rain”.  O importante é isolar o comportamento e entender as nuances da cena.

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“Laranja Mecânica” é um “requerimento” pelo livre-arbítrio. Burgess preocupava-se com a ampla utilização do behaviorismo (teoria e método de investigação psicológica que procura examinar do modo mais objetivo o comportamento humano e dos animais, com ênfase nos fatos objetivos – estímulos e reações – sem fazer recurso à introspecção) em clínicas, consultórios e prisões. O aumento a delinquência juvenil tanto no ocidente capitalista quanto na Rússia soviética foi outro catalisador do livro cuja língua, inclusive, é um inglês russificado, de gírias abundantes.

Gangue

Palavras de Stanley Kubrick: “… Laranja Mecânica é uma sátira social lidando com a questão de saber se a psicologia comportamental e o condicionamento psicológico são as novas armas perigosas para um governo ditatorial usar para impor grandes controles sobre seus cidadãos, e transformá-los em pouco mais do que robôs.”

É uma obra atemporal, que trata de aspectos que sempre estão em alta nas discussões, desde críticas políticas até as tendências psicológicas e sociais,

O importante é entender que o livro é recomendado para todos os públicos, desde que estes tenham maturidade suficiente para entender a obra como uma distopia.  Então “Laranja Mecânica” é uma apologia da violência? Não. É mais um manifesto à liberdade.  Ninguém nega que a sociedade está violenta demais. Aliás, o mundo todo está cheio de guerras, genocídios e violência urbana.  Mas será que é isso mesmo que queremos – a paz a qualquer custo? Nós não somos seres humanos, criaturas contraditórias, que criam e destroem, gozam e sofrem, desejam e rejeitam tudo ao mesmo tempo?  Para o Anthony Burgess, “É melhor ser mau a partir do próprio livre-arbítrio do que ser bom por meio de lavagem cerebral científica.”

Em resumo: Este é um livro para pensar.  Não enxergar exclusivamente a violência, mas buscar entender tudo o que ocorre com e ao redor do personagem.  Reforçando que devemos ter em mente que está é uma ficção distópica – mas algumas lições devem ser tiradas.

Gostou do post? Aproveite entre no blog e leia quantos posts você quiser.  E deixe seu comentário. É muito importante.  Se preferir, deixe uma sugestão. Te encontro no próximo post.

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Jota Cortizo

Versión española: La Naranja distópica de Anthony Burgess.

Después de mi último post, en el que mencioné el romance distópico escrito y publicado por John Anthony Burgess Wilson en el año 1962, golpeó una “locura” para leer y escribir sobre el libro.

“Clockwork Orange” (Naranja Mecánica) marcó una época. Mejor, marcó un siglo. Quien de la generación 70/80 no conoce la novela que se convirtió en película y fue para allá de marcante (vale recordar las bolitas negras * impuestas por la censura militar).

*Censura: En Brasil, la película entró en la lista de obras prohibidas por la censura, haciendo que los cinéfilos fueran a ver la polémica obra en países vecinos, como Uruguay. Cuando fue liberado, sólo logró ser exhibido en las salas con ridículas bolitas negras superpuestas en las escenas de desnudos.

El protagonista, narrador y anti-héroe Alexander DeLarge impresionó – y mucho – por su insanidad y frialdad. En una Londres del futuro (y qué futuro) el adolescente Alex, es retratado como un sociópata que roba, golpea, golpea y escoge a las personas aleatoriamente, para su propia diversión, tampoco mostrando ningún remordimiento cuando se da cuenta de que mató accidentalmente a una mujer cuando estaba tratando de robarla. Intelectualmente, él sabe que ese tipo de comportamiento es incorrecto, diciendo que “no se puede tener una sociedad con todo el mundo comportándose en mi manera de noche”. Sin embargo, confiesa ser un poco confuso con las motivaciones de aquellos que desean reformarlo y otros como él, diciendo que nunca interferirá con su deseo de ser bueno, pero sólo que “irá a la otra tienda.” Alex cree que el mal es el estado natural de todos los seres humanos. En la elección de ser malo, él está eligiendo ser humano. Alex y sus amigos se drogan con frecuencia y salen por las calles de la ciudad apuntando a todas, desde golpe a personas a las invasiones de domicilios. Alex comienza como un líder de pandilla de quince años de la “juventud moderna”. “Habla” Nadsat “, lenguaje creada por el autor británico que se basa en la mezcla de la lengua rusa y el cockney, el lenguaje de la clase obrera británica.

En una de las muchas invasiones domiciliares, la vida de Alex toma un nuevo rumbo al escuchar sirenas policiales, y es esta misma noche que él es traicionado por sus amigos (comparsas) y termina siendo arrestado y en el futuro siendo condenado por homicidio. Después de un tiempo adaptando (más probable que no) a la realidad de la prisión, Alex conoce (y se ofrece) un método llamado “Ludovico”, en el cual la persona se somete a ver escenas de violenta con ganchos en el ojo, lo que hace con el que asista detalladamente todas las escenas. El tratamiento “Ludovico” es una representación artística del fenómeno psicológico conocido como condicionamiento respondedor. El tratamiento “funciona”, y Alex se vuelve incapaz de cometer otros delitos, pero el tratamiento también lo deja con algunas secuelas psicológicas. Hasta que … Bueno, llega de spoilers.

El libro “A Clockwork Orange” es narrado de forma profunda. Podemos leerlo como un libro de sociología, donde hay la posibilidad de analizar la violencia de las tribus urbanas, intentar entender, percibir y aceptar cuestiones filosóficas existencialistas y muchos otros argumentos, que dependerá de la mente de las personas que lo leen. El libro de Burgess recibió el “Prometheus Hall of Fame Award” en 2008.

El comportamiento de Alex, en cierto modo, nos remite a un cierto Edwin, también conocido como “Joker” (en Brasil, él es el Joker) – con un alter ego de nombre Jack Napier. El psicópata con un sentido del humor sádico y enfermo nos da escalofríos. La mirada al mismo tiempo insana y de raciocinio frío nos impresiona. ¡Muy bien! ¿Usted percibe las semejanzas?

En las telones tuvimos la espectacular (y marcante) adaptación británico-estadounidense que vino a la audiencia en 1971, adaptado, producido y dirigido por Stanley Kubrick (el mismo de películas como “2001, Una Odisea en el espacio” y “El Iluminado” y considerado uno de los mayores cineastas de la historia) y teniendo el personaje Alex fue interpretado por Malcolm McDowell (hoy, figurita conocida del cine).

Una escena antológica: La banda de Alex roba un coche, y siguen hasta el lugar donde el escritor F. Alexander vive y lo golpean a punto de él casi perder la vida. Alex entonces violó a su esposa mientras canta “Singin ‘in the Rain”. Lo importante, es aislar el comportamiento y entender los matices de la escena.

“Naranja Mecánica” es un “requerimiento” por el libre albedrío. Burgess se preocupaba por la amplia utilización del conductismo (teoría y método de investigación psicológica que busca examinar del modo más objetivo el comportamiento humano y de los animales, con énfasis en los hechos objetivos – estímulos y reacciones – sin recurrir a la introspección) en clínicas, consultorios y prisiones. El aumento de la delincuencia juvenil tanto en el occidente capitalista y en la Rusia soviética fue otro catalizador del libro cuya lengua, incluso, es un inglés ruso, de jerga abundante.

Las palabras de Stanley Kubrick: “… Naranja Mecánica es una sátira social que se ocupa de la cuestión de si la psicología conductual y el condicionamiento psicológico son las nuevas armas peligrosas para un gobierno dictatorial usar para imponer grandes controles sobre sus ciudadanos, en poco más que robots.

Es una obra atemporal, que trata de aspectos que siempre están al alza en las discusiones, desde críticas políticas hasta las tendencias psicológicas y sociales,

Lo importante es entender que el libro es recomendado para todos los públicos, siempre que éstos tengan madurez suficiente para entender la obra como una distopía. ¿Entonces “Naranja Mecánica” es una apología de la violencia? No es otro manifiesto a la libertad. Nadie niega que la sociedad es demasiado violenta. Además, todo el mundo está lleno de guerras, genocidios y violencia urbana. Pero, ¿es eso lo que queremos – la paz a toda costa? ¿No somos seres humanos, criaturas contradictorias, que crean y destruyen, gozan y sufren, desean y rechazan todo al mismo tiempo? Para Anthony Burgess, “Es mejor ser malo desde el propio libre albedrío que ser bueno a través del lavado de cerebro científico.”

En resumen: Este es un libro para pensar. No ver exclusivamente la violencia, sino buscar entender todo lo que ocurre con y alrededor del personaje. Reforzando que debemos tener en mente que está es una ficción distópica, pero algunas lecciones deben ser tomadas.

¿Te gustó el post? Aprovecha el blog y lee la cantidad de mensajes que desea. Y deja tu comentario. Es muy importante. Si lo prefiere, dejar una sugerencia. Nos veremos en el próximo post.

Jota Cortizo

Fontes/fuentes:

sobresagas.com/resenha-laranja-mecanica-de-anthony-burgess/

pt.wikipedia.org/wiki/Alex_(Laranja_Mecânica)

pt.wikipedia.org/wiki/Anthony_Burgess

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sindicatonerd.com.br/revelado-nome-de-um-dos-tres-coringas-presentes-no-universo-dc/

pt.wikipedia.org/wiki/Joker_(DC_Comics)#/media/File:Joker_(DC_Comics).jpg

pt.wikipedia.org/wiki/Joker_(DC_Comics)

anthonyburgess.org/

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lerantesdemorrer.com/laranja-mecanica/

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cinema.uol.com.br/album/2013/04/25/conheca-15-detalhes-do-polemico-laranja-mecanica-de-stanley-kubrick.htm?mode=list&foto=5

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upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b7/Malcolm_McDowell_LF.JPG

pt.wikipedia.org/wiki/Laranja_Mecânica_(filme)

pt.wikipedia.org/wiki/Nadsat

lerantesdemorrer.com/wp-content/uploads/2015/05/laranja-mec%C3%A2nica-3.jpg

s2.glbimg.com/SOni5gmXxHDEEvFNNeYj_rW4DVw=/0x600/s.glbimg.com/po/tt2/f/original/2014/09/11/8380c58b012d94eb123139180a6d.jpeg

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pontojao.com.br/classicologia-15-laranja-mecanica-1971-uma-historia-horrorshow/

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